Lendas
Oeste da Europa

O tacho do tesouro

level 3
Dificuldade ***
Temas : Viver juntos

Há muitos anos, existiu um palácio na Mexilhoeira, onde habitava uma mulher conhecida como Dona Zarolha.

Numa noite, transpirando abundantemente, acordou de um sonho que muito a perturbara: dirigia-se por uma estrada em direção ao sítio da Rocha, quando, perto de uma alfarrobeira, vislumbrou meio enterrado, um pote cheio de ouro, protegia por um mouro encantado, que
entregaria o referido tesouro a quem o beijasse à meia-noite em ponto.

Dona Zarolha, vendo a melhoria que a sua podia ter, voltou na noite seguinte procurando a alfarrobeira que lhe aparecera no sonho.

De fato, a mágica árvore lá se encontrava, no meio de muitas outras e começou então a escavar a terra com paus e pedras que por ali se encontravam. E encontrou o tacho do ouro, no mesmo instante apareceu um enorme sapo viscoso e asqueroso que descansava em cima do tesouro.

Enjoada e com estômago às voltas, Dona Zarolha apercebendo-se que teria de beijar o sapo, voltou costas e correu para casa. O que ela não sabia era que a sua atitude iria custar-lhe caro porque o mouro fortaleceu o encantamento.

Alguns dias depois, voltou a ter o mesmo sonho, repetindo-se o mesmo nas duas noites seguintes. Decidiu voltar ao sítio da alfarrobeira porque afinal, era pobre e não podia deixar de aproveitar aquela fortuna. Por outro lado, pensou que beijar o nojento sapo duraria apenas um instante e pronto.

Desta forma, desenterrou o tesouro à meia noite em ponto, e esticou os lábios, cerrando com força os olhos. Mal o sapo tocou a sua boca, um olho saltou-lhe da órbita, observando, no entanto, com o olho que lhe restava uma magnífica transformação.

O sapo era agora um belo mouro que a aconselhou antes de desaparecer, que ali voltasse todas as noites à meia noite para levar para casa o tesouro até o esgotar.

A mulher, apesar de ter ficado apenas com um olho, fez o sugerido, recolhendo noite após noite todo o tesouro, construindo uma riqueza que lhe permitiria viver em grande até ao final da sua vida.

Não se sabe de Dona Zarolha constitui família. O que se sabe é que a fama da sua riqueza se estendeu por todo o reino de Portugal, e que muita gente de terras longínquas se deslocava à Mexilhoeira para lhe pedir empréstimos, algo que Dona Zarolha nunca negava.